Irã: Antecedentes, guerra e transformações no eixo xiita no Oriente Médio contemporâneo

O conflito entre Irã e Estados Unidos possui raízes históricas profundas, marcadas por intervenções externas, disputas energéticas, transformações políticas e rivalidades ideológicas que moldaram o Oriente Médio contemporâneo. Desde o golpe apoiado pela CIA em 1953, passando pela Revolução Iraniana de 1979, pela consolidação do chamado eixo xiita e pelas sucessivas tensões em torno do programa nuclear iraniano, a relação entre Teerã e Washington foi construída sob desconfiança, sanções e confrontos indiretos. Nesse contexto, compreender os antecedentes históricos, religiosos e geopolíticos da região torna-se fundamental para analisar o recente agravamento das tensões, o enfraquecimento do eixo de influência iraniano e a escalada militar conhecida como “Guerra dos 40 dias”.
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Operação “Epic Fury”, Sucessão Iraniana e a Vulnerabilidade Energética Brasileira

A “Doutrina Trump” gira em torno da manutenção da superioridade militar dos EUA em relação à China, a fim de que isso contenha, de alguma forma, o desenvolvimento chinês e sua ameaça ao status norte-americano de superpotência hegemônica. Ao restringir o acesso da China a insumos energéticos e parceiros comerciais, os EUA buscam neutralizar a capacidade do país asiático de consolidar sua influência mundial. Continuar lendo Operação “Epic Fury”, Sucessão Iraniana e a Vulnerabilidade Energética Brasileira

O acordo de paz entre Hamas e Israel: uma análise crítica das suas fragilidades estruturais

O acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e Hamas em outubro de 2025 representa um momento de esperança humanitária, mas suas bases políticas e jurídicas exibem lacunas que comprometem sua sustentabilidade. Como vários analistas apontam (Neumann, al-Omari et al., 2025; Shaban, 2025), a diferença entre cessar-fogo e paz duradoura reside na presença de mecanismos concretos para resolver as causas estruturais do conflito. Este artigo, através da revisão da literatura especializada, examina o texto do acordo para destacar seus cinco problemas principais: 1) a ausência de cronograma para Estado palestino, 2) cláusulas de anistia que garantem impunidade, 3) falta de clareza e prazos concretos para a nova administração de Gaza, 4) Exclusão dos palestinos civis do processo decisório, 5) deficiências de monitoramento e verificação. Continuar lendo O acordo de paz entre Hamas e Israel: uma análise crítica das suas fragilidades estruturais

A visita de Trump à Arabia Saudita e o novo Oriente Médio

Ano VI, nº 103, 11 de junho de 2025   Por Mohammed Nadir, Isabella Werneck Zanon, Gabriel Soares, Marcelo Braga Marco Junior, Allie Terassi, Amanda Cristina da Silva (Imagem: Pexels) Trump 1 e Oriente Médio O mandato presidencial de Donald Trump (2017-2021) foi marcado por decisões significativas que moldaram a política dos Estados Unidos no Oriente Médio. Sua abordagem refletiu tanto continuidade quanto rupturas em relação … Continuar lendo A visita de Trump à Arabia Saudita e o novo Oriente Médio

Cenários Futuros para a política externa de Trump para a Palestina e Israel

O presente trabalho investiga a política externa do atual presidente dos EUA, Donald Trump para a Palestina e Israel. Inicialmente expomos uma breve contextualização da eleição do mandatário, bem como do histórico de Washington com a região. Posteriormente refletimos sobre a diplomacia de Joseph Biden e por fim, baseado na metodologia de construção de cenários futuros de Schwartz (1991) e Schoemaker (1993), apresentamos alguns cenários possíveis para a política externa de Trump para a Palestina e Israel. Continuar lendo Cenários Futuros para a política externa de Trump para a Palestina e Israel

Marcuse e a coexistência de Israel e Palestina

A atual escalada do conflito entre Israel e Palestina, marcada pelo acirramento dos ataques e do genocídio perpetrado por Israel, suscita uma urgência em revisitar as reflexões do filósofo Herbert Marcuse (1898-1979), integrante da Escola de Frankfurt. Em um contexto histórico que remonta às décadas passadas, a relação complexa entre essas duas “nações” é fundamental para entender as origens e as perspectivas futuras desse conflito. Continuar lendo Marcuse e a coexistência de Israel e Palestina

Por que chamar genocídio de genocídio?

No atual cenário do conflito entre Israel e Palestina, a distinção entre guerra, conflito e genocídio torna-se crucial para uma compreensão mais aprofundada das complexidades envolvidas. A guerra, por definição, implica um confronto armado entre nações ou grupos, caracterizado pelo uso da força militar para alcançar objetivos específicos. No entanto, é imperativo reconhecer que a nova escalada de violência perpetrada por Israel contra Gaza apresenta uma disparidade gritante no potencial bélico entre os dois lados, com os palestinos enfrentando desafios significativos para se defenderem diante da força militar de um Estado soberano. Continuar lendo Por que chamar genocídio de genocídio?

Por que o Brasil segue ambíguo diante do genocídio palestino?

EM DEZ MESES, o governo Lula mudou a face do Brasil. Saímos de um governo fascistizado e obscurantista, responsável por centenas de milhares de mortos na pandemia e por nos tornarmos párias no sistema internacional, e voltamos a tempos menos infames. No entanto, a administração federal mostra seus limites ao não entrar em nenhuma bola dividida na seara política e econômica e ao ceder a todas as pressões da direita e da extrema-direita. Continuar lendo Por que o Brasil segue ambíguo diante do genocídio palestino?

O conflito Israel-Hamas-Palestina e as posições de EUA e Brasil na ONU

O confronto entre Israel e Palestina é um dos mais longevos no Oriente Médio, caracterizando-se como uma das questões geopolíticas mais complexas da atualidade. Uma escalada do conflito ocorreu em 7 de outubro de 2023, quando o grupo de Resistência Islâmica, Hamas, lançou uma ofensiva aérea e terrestre contra Israel, que declarou ‘estado de guerra’ e o contra-atacou. Diante do cenário calamitoso, os EUA e o Brasil vêm ganhando força midiática como possíveis mediadores do conflito. Continuar lendo O conflito Israel-Hamas-Palestina e as posições de EUA e Brasil na ONU