Transição energética no Nordeste: para quem?

O Nordeste se transformou em protagonista na produção de energias renováveis, atraindo olhares e investimentos do Brasil e do mundo. A região concentra 85% dos parques eólicos brasileiros. Os governos estaduais nordestinos competem para atrair investimentos federais e privados. Enquanto isso, as populações locais, no epicentro das transformações energéticas, vivem os impactos socioeconômicos positivos como a geração de empregos e o desenvolvimento local, e ao mesmo tempo enfrentam impactos negativos, principalmente fundiários, ambientais e de saúde. Continuar lendo Transição energética no Nordeste: para quem?

Economia circular na transição energética

A infraestrutura energética global nunca cresceu tão rápido. Painéis solares, turbinas eólicas, plataformas de petróleo, usinas nucleares, termelétricas a carvão, baterias de veículos elétricos, cada tecnologia tem seu ciclo de vida, e todas, em algum momento, chegam ao fim. O que fazer com esses equipamentos quando isso acontece? O volume potencial de resíduos é imenso, e o descarte inadequado pode transformar qualquer fonte de energia, renovável ou não em fonte de poluição, contaminação de solos e desperdício de recursos. Continuar lendo Economia circular na transição energética

Biometano: de resíduos a energia

Na busca global por opções energéticas mais sustentáveis, aquilo que seria descartado obtém protagonismo. O biometano vem ganhando espaço como uma alternativa concreta ao gás natural, unindo segurança energética e mitigação climática a partir de um mesmo recurso, uma oportunidade ímpar para países em desenvolvimento de conciliar soluções sustentáveis em centros urbanos com desenvolvimento verde nos meios rurais, na questão de resíduos agrícolas. Continuar lendo Biometano: de resíduos a energia

Energia Nuclear: demanda crescente, desafios persistentes

A transição energética será um dos temas centrais da COP 30, que acontecerá em novembro em Belém (PA). Nesse cenário, a energia nuclear retorna como grande aposta para se atingir as metas de descarbonização como fonte de energia limpa. Apesar dos investimentos em energia nuclear terem crescido nos últimos anos, ainda há desafios a serem superados. Custos elevados, gestão dos resíduos radioativos, resistência da opinião pública e preocupações com a proliferação de armas nucleares são questões a serem consideradas quando se trata de retomar a era da energia nuclear. Continuar lendo Energia Nuclear: demanda crescente, desafios persistentes

Gás natural: o fóssil sustentável?

Se depender do presidente Lula, a COP30 será a COP da verdade. Entre outros pontos, o termo “transição energética” deverá deixar de ser uma retórica técnica para se tornar uma bússola política. Mas, como toda bússola, sua indicação depende do rumo adotado. A disputa em torno do papel do gás natural nesse processo ilustra bem essa ambiguidade. O combustível fóssil que menos emite CO2 (comparado ao carvão e ao petróleo), com participação crescente na matriz energética mundial, vive uma contradição permanente. É celebrado como “combustível ponte” na transição às renováveis, mas expande sua infraestrutura de forma que pode comprometer os objetivos de longo prazo da transição energética. Cada novo gasoduto e cada novo terminal de GNL pode prorrogar a travessia. Continuar lendo Gás natural: o fóssil sustentável?

Transição precisa de transmissão

Na era da transição energética, a eletrificação destaca-se como um ponto essencial para atingir as metas globais de descarbonização. O investimento nas redes de transmissão é imprescindível, e sua ausência representa um gargalo em muitas regiões. A China é um exemplo de país que compreende que esse setor, além de estratégico para a segurança nacional, também pode servir como alavanca para um mercado internacional de tecnologia, do qual o Brasil já é um dos principais consumidores. Continuar lendo Transição precisa de transmissão

Minerais críticos cada vez mais críticos

Os minerais críticos são recursos minerais estratégicos, essenciais para setores como tecnologia, defesa nacional e transição energética. Segundo um relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) de março de 2025, sua denominação pode ser dividida em dois aspectos: (I) críticos, no caso de recursos essenciais para a economia e sob risco de corte de fornecimento, o que causaria graves impactos econômicos, ambientais, de segurança e sociais; (II) estratégicos, caso se enquadre em uma das três categorias seguintes: C1 – o país depende de sua importação em grande escala para suprir setores vitais da economia; C2 – sua importância está crescendo devido à aplicação em produtos e processos de alta tecnologia; C3 – é essencial para a economia nacional. As reservas desses minerais muitas vezes são restritas a poucos fornecedores, estando sujeitas a riscos de escassez e de embates geopolíticos e econômicos. Entre os minerais críticos se incluem o cobre, o lítio, o níquel, o cobalto, o grafite, o nióbio e as terras raras. Continuar lendo Minerais críticos cada vez mais críticos

A promessa do Hidrogênio verde

O Hidrogênio Verde (HV) representa não apenas uma alternativa energética, mas uma plataforma de descarbonização industrial. Brasil participa desse esforço com mais de 13 projetos operacionais e 70 em desenvolvimento, principalmente no Nordeste. Mais do que um vetor limpo, o HV deve ser compreendido como plataforma para um projeto nacional de reindustrialização verde, com encadeamentos produtivos locais e protagonismo tecnológico. Caso contrário, corremos o risco de repetir a lógica do “enclave exportador”, agora com moléculas de hidrogênio em vez de minérios e grãos. Continuar lendo A promessa do Hidrogênio verde

Data centers, os novos superconsumidores de energia 

Em um contexto geopolítico em que os dados e a inteligência artificial adquirem influência crescente, os data centers emergem como novos vetores de poder e consumo energético. Este artigo examina a relação entre o ultraprocessamento de dados e a geopolítica da energia, com atenção ao papel do Brasil. Continuar lendo Data centers, os novos superconsumidores de energia 

A Nova Configuração dos BRICS e seu Impacto no Mercado Energético Mundial

O BRICS assume uma posição cada vez mais estratégica na geopolítica energética mundial. Combinando vastos recursos naturais, grande capacidade de produção e consumo de energia, e um papel central na cadeia global de minerais críticos, o bloco possui todos os elementos necessários para liderar uma transição energética mais justa e inclusiva. No entanto, para que isso se concretize, será preciso enfrentar as contradições internas que ainda marcam as trajetórias energéticas de seus membros, como a forte dependência de combustíveis fósseis e as desigualdades no acesso à energia limpa. Continuar lendo A Nova Configuração dos BRICS e seu Impacto no Mercado Energético Mundial