A promessa do Hidrogênio verde

Ano VI, nº 106, 24 de julho de 2025  

 

Por Ana Izadora Rodrigues Bezerra, Luciana Henrique de Araújo, Luísa Braga Bianchet, Rafael Alexandre Silva de Moraes, Rafael Alves Fernandes

(Imagem: Freepik)

 

O Hidrogênio Verde (HV)representa não apenas uma alternativa energética, mas uma plataforma de descarbonização industrial. Brasil participa desse esforço com mais de 13 projetos operacionais e 70 em desenvolvimento, principalmente no Nordeste.  Mais do que um vetor limpo, o HV deve ser compreendido como plataforma para um projeto nacional de reindustrialização verde, com encadeamentos produtivos locais e protagonismo tecnológico. Caso contrário, corremos o risco de repetir a lógica do “enclave exportador”, agora com moléculas de hidrogênio em vez de minérios e grãos.

 

Introdução 

  

Este ano, o Brasil sediará a 30ª edição da COP, que celebrará os 10 anos do Acordo de Paris e os 33 anos da ECO-92. O evento será realizado em Belém do Pará, na Amazônia brasileira, e terá como principais temas em discussão: o financiamento climático para mitigação das emissões de gases de efeito estufa, a adaptação dos países às consequências da crise climática e, certamente, a transição energética visando a eliminação dos combustíveis fósseis. Embora o mundo ainda não tenha definições claras sobre quando e como abandonar os combustíveis fósseis, diversas iniciativas têm avançado com alternativas e dentre elas, destaca-se o Hidrogênio Verde (HV).

  

Logo após a eclosão da guerra na Ucrânia, intensificou-se o interesse europeu pelo hidrogênio verde (HV) como um dos potenciais vetores alternativos, impulsionado pela necessidade de diversificação frente à dependência do gás russo. No entanto, esse entusiasmo inicial foi atenuado diante de entraves estruturais significativos, como os elevados custos de produção, os desafios de armazenamento em larga escala e as complexidades logísticas para transporte. 

  

Ainda que o HV não deva ser encarado como solução definitiva, completa ou imediata para a transição energética, seu potencial estratégico permanece relevante, sobretudo para países com matriz energética limpa e abundância de fontes renováveis, como o Brasil, que se destaca como ator promissor na cadeia global de hidrogênio de baixo carbono.

  

Em 2023, a BloombergNEF apontou que até 2030 o Nordeste brasileiro tem potencial para produzir US$ 1,47/kg de hidrogênio verde. Segundo o ranking H2LAC Index, produzido pela organização New Energy Events, o Brasil é o segundo país mais engajado na produção de HV. O estudo destacou a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão e a Lei do Combustível do Futuro, de 2024, como indicadores claros do interesse brasileiro na utilização do HV como parte da transição energética.

  

Além disso, estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que o Brasil possui iniciativas em hidrogênio verde com potencial para alcançar 41 GigaWatts (GW) até 2030. Contudo, conforme os dados mais recentes da ferramenta interativa da IEA, apenas 5 megawatts estão em operação atualmente no território nacional. Outros 72 MegaWatts (MW) já obtiveram a decisão final de investimento, enquanto 10,8 GW seguem em fase de espera por aprovação definitiva.

  

Esse panorama se repete em grande parte da América Latina, onde a maioria dos projetos ligados ao Hidrogênio Verde ainda enfrenta dificuldades para avançar à fase de implementação. Apesar dos entraves técnicos e financeiros que têm limitado o progresso dessa pauta, o Brasil vem assumindo um papel estratégico ao criar um ambiente mais favorável para a atração de investimentos voltados à produção de hidrogênio verde no país.

  

Do que estamos falando exatamente?

  

O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, mas quando falamos em hidrogênio verde, estamos nos referindo a algo muito específico: hidrogênio produzido de forma sustentável, sem emissões de carbono. Para entender melhor essa alternativa energética, é importante salientar que o hidrogênio não é uma fonte primária de energia como o sol ou o vento , ele é um vetor energético, uma forma de armazenar e transportar energia produzida por outras fontes. O que torna esse hidrogênio “verde” é a origem da eletricidade utilizada: ela deve vir exclusivamente de fontes renováveis como energia solar, eólica e hidrelétrica.

  

O hidrogênio é produzido através da eletrólise da água, um processo que usa eletricidade para separar as moléculas de H₂O em hidrogênio e oxigênio. Durante esse processo, dois eletrodos com polaridades opostas são inseridos em um recipiente com água. Os eletrodos são condutores elétricos que facilitam a transferência de uma corrente. Nessa produção, essa corrente que passa por eles quebra as ligações químicas da água, liberando hidrogênio no cátodo (eletrodo negativo) e oxigênio no ânodo (eletrodo positivo). Para aumentar a eficiência do processo, utilizam-se soluções que melhoram a condutividade elétrica. 

  

A eletricidade precisa ser usada no momento em que é produzida e pode ser armazenada somente a custos altos com baterias. No entanto, ela pode ser convertida em hidrogênio, que pode ser armazenado. Simplificando, a relação entre eletricidade e hidrogênio verde pode ser comparada àquela entre leite e queijo. Assim como o leite pode ser conservado por mais tempo quando transformado em queijo, a eletricidade pode ser “armazenada” ao ser utilizada para produzir hidrogênio, que pode ser guardado por períodos mais longos. Estima-se que, no futuro, uma parte da eletricidade verde será usada para produzir hidrogênio verde. As estimativas variam entre 5% e 20% no período de 2050 a 2060, segundo respectivamente o Hydrogen Council e a BloombergNEF.

  

A indústria energética criou um sistema de cores para diferenciar os tipos de hidrogênio conforme sua fonte de produção e pegada de carbono. No Brasil, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) adota uma abordagem diferente, preferindo a nomenclatura ‘hidrogênio de baixa emissão’ para classificar todo hidrogênio produzido com reduzidas emissões de gases de efeito estufa, independentemente do método de produção. Apresentamos aqui o sistema de cores utilizado no mercado internacional:

  

Tipo

Processo de Produção

Fonte de Energia

Emissões de CO2

Status

Cinza

“Quebra” do gás natural com vapor super quente, gerando H2 e muito CO2

Gás natural/metano

Altas emissões

>94% da produção mundial

Azul

Mesmo processo do cinza, mas captura e armazena o CO2 no subsolo

Gás natural/metano

Baixas emissões (com CCS)

Implementação limitada

Verde/baixa emissão

Usa eletricidade limpa para separar a água em H2 e oxigênio

Solar, eólica, hidrelétrica

Zero emissões

Em expansão global

Turquesa

Aquece o gás natural até virar H2 e carvão sólido (sem CO2 no ar)

Gás natural/metano

Muito baixas (carbono sólido)

Em desenvolvimento

Rosa

Usa energia nuclear para separar a água em H2 e oxigênio

Nuclear

Zero emissões

Produção limitada

Branco/natural

Extrai H2 natural já existente no subsolo (como petróleo)

Natural (geológico)

Zero emissões

Descobertas recentes 

  

O hidrogênio de baixa emissão se apresenta, por enquanto, como a única solução viável para descarbonizar indústrias pesadas como siderurgia, cimento e química. Nesses setores, ele não é apenas um combustível alternativo, é um componente essencial dos processos produtivos, transformando a base industrial sem comprometer a eficiência operacional. Na siderurgia, o hidrogênio substitui o carvão na redução do minério de ferro, viabilizando a produção de aço sem emissões. Nas refinarias, é essencial para remover impurezas dos combustíveis. A indústria química depende dele para produzir amônia (fertilizantes) e metanol (plásticos e combustíveis). Em todos esses casos, o hidrogênio não é apenas uma fonte de energia, ele participa quimicamente dos processos, sendo insubstituível.

  

É importante destacar que o processo de produção demanda quantidades significativas de energia. A eficiência energética da eletrólise é de aproximadamente 80%, significando que para gerar 80 kWh de energia em forma de hidrogênio, são necessários 100 kWh de eletricidade. Atualmente, são necessários cerca de 3.600 TWh para produzir 2,4 milhões de toneladas de hidrogênio verde globalmente.

  

Atores no mercado global de hidrogênio

  

Atualmente o mercado global de hidrogênio verde se encontra em rápida expansão, contudo os custos de produção ainda são até uma vez e meia maiores do que a produção de hidrogênio a partir de fontes fósseis. O mercado global de hidrogênio foi avaliado em US$ 170,14 bilhões em 2023, com projeção de crescimento anual de 9,3% até 2030. A região Ásia-Pacífico, liderada pela China, domina o mercado com mais de 35% da participação global. Para enfrentar esses desafios, diversos atores pensam estratégias de como se inserir nesse mercado de melhor forma, levando em conta suas próprias características, uma das principais variáveis é a presença de capacidade eólica, solar ou hidrelétrica para produção do hidrogênio verde.

  

A China é um país central nesse processo, liderando não só na escala da produção, mas também nas recentes adições de capacidade instalada. O país asiático é o maior produtor de energia renovável e se utiliza disso para criar um ambiente favorável à produção com o objetivo de impulsionar a demanda. De acordo com estatísticas da sua agência nacional de energia no fim de 2024 possuíam capacidade instalada para produzir 125,000 mt/ano, colocando em perspectiva isso é metade de toda capacidade mundial. Além disso, representam mais de 60% da produção de eletrolisadores. E isso é um ponto central, porque para produzir grandes quantidades de hidrogênio verde, não basta contar com eletricidade verde barata e em grande quantidade; é preciso também produzir ou ter acesso a eletrolisadores de baixo custo para separar a água em hidrogênio e oxigênio. Ou seja, no caso do hidrogênio verde, reproduz-se a estratégia chinesa adotada nas energias solar e eólica: o crescimento exponencial da demanda interna sustenta uma indústria de componentes e tecnologia que domina o mercado mundial.

  

A União Europeia (UE) também é um ator relevante, Em 2023, a UE aprovou regras para definir hidrogênio renovável e financiou quatro projetos estratégicos de hidrogênio. Em 2024, lançou dois leilões do Banco Europeu de Hidrogênio, totalizando €1,9 bilhão. Esse “Banco” é um instrumento financeiro criado pela Comissão Europeia em 2022 para destravar investimentos privados nas cadeias de valor do hidrogênio, tanto dentro da União Europeia quanto em escala global, conectando a oferta de energia renovável à demanda europeia.

  

Em especial a Alemanha têm se mostrado mais comprometida, se tornando referência mundial ao juntar investimentos robustos e metas ambiciosas de até 10 GW de eletrólise até 2030, além de forte presença de grandes empresas como a Siemens Energy, Thyssenkrupp Nucera, Sunfire GmbH. Tais empresas são estratégicos nesse processo pois dominam a fronteira da tecnologia de eletrólise. Por exemplo, a Siemens tem a mais moderna fábrica de eletrolisadores que se utilizam da tecnologia PEM ( Proton exchange membrane) com resposta mais rápida de ativação e controle dinâmico, compatível com a flutuação da energia de fontes renováveis. Essas gigantes também fecham muitas parcerias internacionais importantes para criação de sinergia entre atores envolvidos com a cadeia de valor do hidrogênio verde. 

  

Austrália, por sua vez, destaca-se como futura exportadora de hidrogênio verde, com extensa produção solar, estabeleceu metas de 50 GW em eletrólise e 1 milhão de toneladas/ano até 2030. Japão, pioneiro em células a combustível, projeta demanda de 3 milhões de toneladas/ano até 2030. A Índia visa produzir 5 milhões de toneladas até 2030, com a estratégia de garantir subsídios com o objetivo de 412 mil toneladas/ano em breve. No Oriente Médio, Arábia Saudita (NEOM: 600 toneladas/dia a partir de 2026) e Emirados (1,4 milhão de toneladas/ano até 2031) lideram essa nova frente global, focada em consumo interno e exportação para Europa e Ásia.

  

A América Latina também é um polo que concentra países relevantes no cenário global de hidrogênio verde, impulsionada por seu potencial de energia renovável e metas de descarbonização. Chile lidera com ambição de 5 GW em eletrólise até 2025 e custo abaixo de US$1,50/kg, mirando o top 3 de exportadores até 2040. Colômbia adota incentivos fiscais e projetos-piloto (como na estatal petrolífera Ecopetrol) para cortar 51% das emissões até 2030. O Uruguai foca em mobilidade e fertilizantes, enquanto Argentina (Projeto Pampas).

  

E o Brasil? 

  

No Brasil, o hidrogênio verde já é um velho conhecido. Isso porque durante o choque do petróleo na década de 1970, o governo militar brasileiro se viu pressionado a investir em combustíveis alternativos para reduzir a dependência de derivados de petróleo. Foi nesse contexto que, em 1975, surgiu o Laboratório do Hidrogênio na UNICAMP, para a pesquisa de hidrogênio como combustível alternativo. No entanto, esse e outros laboratórios e centros de pesquisa em energias alternativas foram abandonados pelo poder público com a queda no preço do petróleo na década de 1980, sendo retomados posteriormente, impulsionados pela crescente preocupação global com as mudanças climáticas.

  

O governo Lula (2023-) tem se esforçado para regulamentar e promover o fomento do hidrogênio de baixo carbono. Como parte Plano de Transformação Ecológica (PTE), foi sancionada a Lei nº 14.948/2024, também conhecida como “Lei do Hidrogênio Verde”, que instituiu o marco legal do hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil e estabeleceu uma política nacional unificada sobre o tema, visando criar incentivos à sua produção e uso para integrar essa nova fonte à matriz nacional. Entre as medidas, a legislação estabeleceu incentivos como o Regime Especial de Incentivos (Rehidro) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio (PHBC), com R$18 bilhões em recursos para pesquisa, infraestrutura e exportação. Ainda em 2024, marcos importantes como o Programa Mover, a Lei do Mercado de Carbono e a Nova Indústria Brasil (NIB), reforçaram ainda mais o ambiente para as energias renováveis, com citações para o hidrogênio verde.

   

Mesmo com capacidades técnicas, regulatórias e naturais promissoras para se destacar globalmente na produção de hidrogênio verde, atores como a Agência Brasileira de Industrias de Hidrogênio Verde (composta por empresas dos setores de energia, tecnologia e agro) veem dificuldades principalmente na questão do financiamento do setor: os altos custos do mercado dificultam seu desenvolvimento, e as empresas recomendam políticas de atração de investimentos e por um regime fiscal favorecido para esse setor, visando incentivar seu uso e tornando-o mais competitivo em relação aos combustíveis fósseis. A renovação do Setor Interligado Nacional (SIN) para a conexão com projetos de hidrogênio verde também é pauta presente em algumas discussões, já que existe a necessidade de reforçar a infraestrutura de transmissão para lidar com a crescente demanda por eletricidade e a garantia da integridade. Além disso, se para muitos o Marco Legal efetivamente deu mais segurança jurídica e diminuído os riscos do mercado no país, para muitos outros ele ainda não aborda as normas detalhadas sobre certificação, rastreabilidade e garantias de origem da produção do hidrogênio, prejudicando sua produção e deixando o Brasil atras de outros países que já avançaram nessa regulamentação.

   

Embora enfrente desafios similares aos de outros países que investem no hidrogênio verde, o Brasil possui vantagens competitivas únicas, especialmente devido à sua matriz elétrica predominantemente renovável. 

  

Hoje, a produção de hidrogênio verde no Brasil concentra-se nas proximidades de corredores de exportação, especialmente em regiões portuárias, visando facilitar a compressão ou liquefação para transporte. Nesse cenário, o Nordeste emerge como o principal polo produtor, impulsionado por duas vantagens estratégicas:  sua abundância de geração de energia renovável (responsável pela maior parte da geração eólica e solar do país) e a localização privilegiada de seus portos, que facilitam o acesso a mercados como o europeu. Essa combinação de fatores atrai investimentos massivos para estados como Ceará e Rio Grande do Norte, onde projetos já somam US$90 bilhões em previsões. Um dos exemplos mais emblemáticos desses movimentos é o corredor de exportação que conectará o Porto do Pecém, no Ceará, à Roterdã, na Holanda, que deverá consolidar a rota do hidrogênio verde brasileiro para o exterior. O setor também vem recebendo apoio financeiro internacional, como o financiamento de US$134 milhões aprovado pelo Banco Mundial em julho de 2025 para a estratégia de H2V do Porto de Pecém e do governo estadual. 

   

Porém, os projetos em desenvolvimento hoje não precisam necessariamente abastecer o mercado externo, atendendo à potencial demanda global por energia limpa, mas também o mercado doméstico, com o objetivo principal de substituir o hidrogênio cinza no refino de petróleo e expandir seu uso nas indústrias química, siderúrgica, de fertilizantes e de metanol. Estudo do IPEA apontam a necessidade de políticas públicas de incentivo ao uso de HV.

  

Considerações finais

  

A trajetória do hidrogênio verde (HV) no debate energético brasileiro revela um paradoxo recorrente: ao mesmo tempo em que somos apontados como potência em potencial na nova economia do hidrogênio, seguimos presos a dilemas históricos de dependência tecnológica, fragmentação institucional e ausência de uma política industrial de longo prazo. A abundância de fontes renováveis confere ao Brasil vantagens naturais, mas são as decisões políticas e os arranjos produtivos que definirão se o país ocupará uma posição estratégica ou subordinada na nova divisão internacional da energia.

   

Mais do que um vetor limpo, o HV deve ser compreendido como plataforma para um projeto nacional de uma nova industrialização verde, com encadeamentos produtivos locais e protagonismo tecnológico. Caso contrário, corremos o risco de repetir a lógica do “enclave exportador”, agora com moléculas de hidrogênio em vez de minérios e grãos. A diferença entre ser fornecedor de commodities energéticas ou líder em soluções industriais passa, entre outros fatores, pelo fortalecimento da capacidade estatal, pela articulação com universidades e centros de pesquisa, e pelo estímulo à inovação em toda a cadeia de valor.

  

O atual contexto global, marcado pela reconfiguração das cadeias produtivas, pela transição energética e pela competição por autonomia estratégica, oferece ao Brasil uma janela de oportunidade. Projetos como o Rehidro, as ZPEs no Nordeste e os primeiros acordos bilaterais com Europa e Ásia são passos relevantes, mas ainda insuficientes diante da escala dos desafios. É preciso garantir que a produção de hidrogênio verde se converta em empregos qualificados, desenvolvimento regional e soberania energética. Mais do que aderir a uma tendência internacional, trata-se de decidir que futuro queremos construir e com que instrumentos. O hidrogênio verde pode ser um vetor de reconversão produtiva e de maior inserção soberana do Brasil no cenário internacional. Mas isso exige visão estratégica, coordenação pública e coragem política para transformar promessas em projeto.

  

Como observa a Agência Internacional de Energia (IEA):“O Brasil representa cerca de 7% da produção mundial de energia renovável e agora busca expandir sua atuação em soluções de baixo carbono, como o hidrogênio” No entanto, sem uma política industrial robusta e a construção de competências próprias em eletrólise, armazenamento e certificação o país corre o risco de repetir uma antiga lógica de inserção periférica: exportar moléculas de hidrogênio sem internalizar os ganhos tecnológicos e produtivos da transição energética.

  

Agradecimentos ao professor Giorgio Romano Schutte


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