Ano VI, nº 111, 02 de outubro de 2025
Por Ana Júlia Moura, Laura , Lucas Paié, Mônica Almeida Peña e Rebeca Borges Rodrigues de Camargo (Imagem: Coletiva após reunião do comitê de negociação para discutir medidas à tarifa de 50% dos EUA. Foto: Lula Marques/Agência Brasil)
O impacto do tarifaço de Donald Trump tem provocado intensos debates e repercussões na imprensa brasileira acerca das reações do país. Mais que uma medida comercial, o tarifaço simbolizou pressões geopolíticas dos EUA e expôs as respostas do Brasil diante de tensões econômicas e ideológicas.
Durante seu primeiro mandato (2017-2021), o presidente dos Estados Unidos Donald Trump utilizou como plataforma política a defesa do nacionalismo e do protecionismo, consolidando estes elementos em torno do slogan “America First” (América em primeiro, em tradução livre). Em seu segundo mandato, estes elementos retornam, ganhando novos contornos e desdobramentos, dentre os quais se destaca o tarifaço promovido por Trump, divulgado no “Dia da Libertação” em 02 de abril de 2025, que impactou profundamente o cenário internacional.
Inicialmente, o tarifaço tinha como objetivo a aplicação de tarifas de importação sobre produtos vindos de outros países para os EUA, sob a justificativa de reduzir os déficits comerciais e garantir reciprocidade. De antemão, juntamente com outros 126 países, o Brasil sofreu uma taxação mínima de 10% sobre suas exportações – apesar do superávit dos Estados Unidos na balança comercial com o Brasil. De início, o tarifaço provocou um impacto predominantemente econômico, principalmente nos setores exportadores brasileiros, contudo, diante das dificuldades de negociação entre os dois países e a pressão promovida pelos Estados Unidos, houve um acirramento das tensões, verificando-se certa elevação no tom do debate.
O tarifaço deixou de ser uma questão estritamente econômica e assumiu contornos político-ideológicos. Pronunciamentos e declarações do presidente Trump suscitaram questões e debates internos sobre soberania econômica, dependência externa e os limites do alinhamento brasileiro com os Estados Unidos. Além disso, as pressões comerciais se desdobraram em tentativas de interferência norte-americana em pautas estratégicas do Brasil, revelando um quadro no qual barreiras tarifárias tornaram-se apenas uma das dimensões de um jogo mais amplo de pressões econômicas, políticas e simbólicas, exigindo do Brasil respostas mais complexas que combinassem diplomacia, estratégia comercial e afirmação de autonomia no cenário internacional. Os desdobramentos e respostas para essa questão vêm sendo tratados de diferentes formas em diversos veículos de imprensa, destacando suas percepções e entendimentos sobre a questão, o que será tratado nas próximas seções.
Pressão dos EUA
A recente imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros representa um dos episódios mais tensos das relações bilaterais nas últimas décadas. Embora apresentadas como medidas de política comercial, essas ações revelam forte carga política e simbolizam um esforço explícito de Washington em intervir em questões internas brasileiras.
O estopim da crise foi a carta enviada pelo presidente Donald Trump ao governo brasileiro, na qual anunciou tarifas de até 50% sobre produtos nacionais. O documento, além de justificar a medida em termos de desequilíbrio comercial, incorporava acusações diretas sobre supostas violações de “liberdade de expressão” e, principalmente, críticas severas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para Trump, tratava-se de uma “caça às bruxas”, expressão que ele recorrentemente utiliza em seu próprio contexto doméstico. A ordem executiva que formalizou as tarifas reforçou essa linha argumentativa, mesclando razões econômicas e alegações de natureza política e ideológica.
Em paralelo, Washington recorreu à Lei Magnitsky, um instrumento legal que autoriza sanções unilaterais contra indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos, aplicada contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Na prática, a sanção implica congelamento de ativos em território norte-americano e restrição de circulação, mas, simbolicamente, representou uma escalada da pressão política. Autoridades brasileiras reagiram classificando a decisão como uma afronta à soberania nacional, e setores do Judiciário e da sociedade civil apontaram para os riscos da aplicação extraterritorial de uma lei estadunidense em disputas internas do Brasil.
O pano de fundo imediato dessa ofensiva foi o julgamento de Jair Bolsonaro pela Primeira Turma do STF, sob acusação de envolvimento em tentativa de golpe de Estado. O processo, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, tornou-se um ponto de inflexão na relação com os EUA. As declarações de Trump e a retaliação econômica foram lidas por analistas como tentativas de pressionar as instituições brasileiras e condicionar os resultados judiciais. Em outras palavras, o tarifaço e as sanções via Lei Magnitsky funcionaram como instrumentos de política externa utilizados para influenciar um processo doméstico, sinalizando uma inédita interpenetração entre comércio internacional e política judicial interna.
Do ponto de vista econômico, o impacto imediato das tarifas foi considerado “modesto”; ainda assim, setores exportadores estratégicos sentiram com força a medida, especialmente diante da dificuldade de redirecionar a produção a outros mercados. No plano político, o episódio aprofundou a polarização doméstica, fornecendo munição para discursos tanto governistas quanto oposicionistas. No cenário internacional, abriu-se um precedente perigoso: o uso de tarifas e sanções unilaterais como meio de intervenção política em democracias estrangeiras.
Reações do Brasil
A seguir, apresentamos como alguns veículos de imprensa abordaram o tarifaço.
Revista Veja
Entre julho e setembro de 2025, a Revista Veja publicou artigos sobre as reações do país ao aumento de tarifas determinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Os artigos versaram sobre críticas diretas feitas pelo presidente Lula.
No mês de julho, em nota ao responder à mensagem publicada pelo presidente Donald Trump em suas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “a defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros” e que “ninguém está acima da lei”. Na mesma notícia, a revista destaca as falas de Trump dizendo que o ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, está sendo vítima de perseguição política.
Ao noticiar a coletiva de imprensa dada pelo presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a revista primeiramente mencionou a crítica do presidente Lula à insinuação de Trump de taxar os países do BRICS para, em seguida, falar sobre o incentivo do governo brasileiro para que Brasília e Nova Déli estreitem os laços comerciais. Ainda no mês de julho, a revista noticiou o comunicado no qual o presidente Lula criticou a aplicação de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a imposição das sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, além da manifestação do presidente brasileiro afirmando que “o Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação”.
Agosto inicia com a notícia de que o governo brasileiro resolveu acionar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC) em decorrência do tarifaço imposto. A revista enfatiza que o gesto é significativo, porém simbólico, uma vez que é baixa a probabilidade da iniciativa surtir algum efeito prático por dois motivos: a consulta precisa ser aceita por Washington, e depois, precisa ir ao órgão de apelação da OMC, que está paralisado desde 2019 devido ao bloqueio estadunidense à nomeação de novos juízes. Durante a Cúpula dos Países Amazônicos em Bogotá, na Colômbia, o presidente Lula voltou a criticar diretamente o presidente Trump, afirmando que o presidente estadunidense toma decisões unilaterais e que desrespeita organizações internacionais no processo, inclusive as Nações Unidas.
No dia 28 de agosto, a revista noticia a autorização, dada pelo presidente Lula, para o início dos procedimentos para a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos. Com isso, o Itamaraty aciona a Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, para iniciar o processo de resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Por sua vez, a Camex tem o prazo de trinta dias para analisar o caso e indicar os próximos passos.
Também foram objeto de notícia a entrevista dada pelo presidente Lula à agência de notícias Reuters e seu artigo publicado no jornal The New York Times. Na entrevista à agência de notícias Reuters, realizada no dia 06 de agosto, o presidente Lula afirmou, entre outras coisas, não ver espaço para conversas diretas com Donald Trump: “No dia em que minha intuição disser que Trump está pronto para conversar, não hesitarei em ligar para ele. Mas hoje minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar”.
Em relação ao artigo, publicado em 14 de setembro, do The New York Times, com o título “A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis”, a revista dá destaque a alguns pontos, como quando o presidente Lula reitera a afirmação de que o país continua aberto a negociar (com os Estados Unidos) qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos, mas que a democracia e a soberania do Brasil são inegociáveis. A revista ainda menciona que Lula volta a criticar o tarifaço de 50%, que chamou de ‘equivocado’ e ‘ilógico’, menciona a condenação de Jair Bolsonaro, defende o STF e exalta o Pix e a redução do desmatamento no Brasil. Em seguida, a revista transcreve a tradução do artigo em sua íntegra.
A Revista Veja fez uma cobertura bem informativa em relação ao tarifaço, contextualizando o fato e seus efeitos em uma narrativa que procurou dar ênfase às decisões tomadas pelo presidente Lula, sem demonstrar um posicionamento mais crítico. A notícia sobre o artigo publicado no The New York Times é um bom exemplo. A revista informou sobre o assunto do artigo, descreveu os principais pontos e o transcreveu na íntegra. Em resumo, apesar de muitas vezes ter um posicionamento crítico ao atual governo, no que diz respeito ao tarifaço, a cobertura da revista informou seus leitores, levando-os a terem uma visão ampla sobre os fatos.
Folha de São Paulo
A cobertura da Folha de S. Paulo sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros apresenta padrões narrativos que articulam informação econômica detalhada e uma pretensa neutralidade jornalística, enquanto delineiam implicitamente uma perspectiva liberal-conservadora. Entre abril e setembro de 2025, as matérias enfatizaram sobretudo os impactos das medidas sobre setores estratégicos da economia brasileira, como aço, alumínio, agronegócio e produtos tecnológicos, trazendo vozes majoritariamente de especialistas, autoridades governamentais e executivos de empresas, ao passo que as manifestações de trabalhadores, movimentos sociais ou pequenos produtores aparecem, majoritariamente, em notas.
A Folha detalha impactos específicos de setores econômicos, como no caso da Embraer, cuja receita e exportações aos Estados Unidos podem ser significativamente afetadas pela sobretaxa de 50%. A cobertura apresenta projeções financeiras e medidas de mitigação, como a oferta de crédito adicional à empresa, transformando um efeito social e estratégico em uma questão de administração de risco (Folha, 29.jul. 2025). De forma similar, matérias sobre o agronegócio quantificam as perdas potenciais, como os US$ 5,8 bilhões estimados em exportações afetadas, e situam os produtores como atores que dependem de decisões externas.
O jornal também detalha a complexidade legal e diplomática das medidas brasileiras de resposta, como a abertura de procedimentos da Lei da Reciprocidade Econômica e a análise da Camex, bem como a possibilidade de acionar a OMC, enfatizando prazos, limites e obstáculos técnicos. A exposição dessas ações contribui para uma narrativa que combina informação minuciosa com aparência de pluralidade, mas centraliza a interpretação em termos de estratégia e eficiência, mantendo o debate no plano econômico e institucional.
Por outro lado, a Folha não ignora totalmente as dimensões políticas e geopolíticas do tarifaço. Matérias relatam a tensão gerada pelos protestos da bancada ruralista em Brasília e as advertências da China sobre negociações comerciais “às custas de seus interesses”. Contudo, essas vozes emergem mais como contextualização do que como protagonistas do debate, reforçando o foco em mecanismos formais de negociação e impactos quantitativos.
No plano lexical e estrutural, observa-se uma consistência na escolha de termos técnicos e na quantificação de efeitos: exportações afetadas, porcentagens de produtos tarifados, valores em dólares e variação de volumes são detalhados, reforçando a percepção de que o tarifaço é um fenômeno gerenciável mediante políticas compensatórias. Ao mesmo tempo, a cobertura atribui relevância a setores estratégicos e de alta tecnologia, como aeronaves e maquinário, destacando tanto sua participação nas exportações quanto o papel do mercado norte-americano como principal destino.
Por fim, a cobertura da Folha converte decisões políticas em problemas de gestão econômica ao combinar exposição detalhada e contextualização econômica com uma estratégia narrativa que privilegia fontes oficiais e especialistas do mercado, reforçando a tecnicidade do debate e a centralidade de decisões políticas e diplomáticas. Embora a análise crítica do viés da revista indique um recorte liberal-conservador implícito – na medida em que prioriza estabilidade macroeconômica e perspectiva empresarial em detrimento da escolha de demais perspectivas, como a social, por exemplo – a ampla inserção de dados, cronologia das medidas e detalhamento de efeitos setoriais confere ao leitor informações substanciais para compreender o fenômeno do tarifaço em múltiplas dimensões, do mercado ao impacto diplomático.
Campanha Brasil Soberano
De forma ampla, o Governo Brasileiro tem se mobilizado para que as imposições tarifárias sejam cessadas ou tenham seus impactos reduzidos; para isso, além de medidas diplomáticas, o Brasil criou programas econômicos e investiu numa estratégia de divulgação vasta que reafirma a soberania da nação.
Entre essas ações, destaca-se o Plano Brasil Soberano, anunciado via Medida Provisória nº 1.309/2025, que prevê crédito de R$ 30 bilhões para exportadores afetados, facilitação de acesso a linhas de garantia e seguro à exportação, prorrogação de suspensão de tributos, incentivo à restituição de parte dos impostos e a compra pública facilitada em setores alimentícios prejudicados. Por um lado, veículos de comunicação, como a Veja, apresentam as medidas impostas pela MP de forma detalhada, salientando possíveis impactos positivos e dando destaque à soberania nacional.
Entretanto, jornais como Folha de São Paulo alertam que, apesar de robusto, o pacote ainda pode ser insuficiente para resolver o problema central, apontando para as limitações no chamado Plano Brasil Soberano. Segundo o veículo, as medidas de crédito dão apenas um alívio momentâneo, sem resolver o problema central: a dependência do mercado norte-americano e a urgência de avanços diplomáticos.
A Veja pontua a respeito do risco fiscal embutido no pacote, já que os subsídios e diferimentos de impostos podem comprometer as contas públicas, caso se tornem permanentes, além de questionar a falta de clareza sobre os critérios de distribuição de recursos.
No campo da análise publicitária, com exceção da Revista Oeste, a imprensa brasileira tem relatado as movimentações sociais, as repercussões internacionais, e os discursos presidenciais em prol da defesa da soberania e contra a interferência externa nas decisões da política brasileira. As celebrações do Dia da Independência, por exemplo, foram amplamente divulgadas como um momento simbólico para a defesa da soberania brasileira. A Oeste por outro lado, noticia o posicionamento presidencial como uma forma de “aproveitamento eleitoral”, considerando que as medidas adotadas podem reduzir o impacto econômico causado pelo tarifaço, ao passo que deixa claro que o Governo tem o objetivo único e exclusivo de aumentar sua popularidade para o próximo período eleitoral; ainda reforça uma atuação positiva do Deputado Federal Eduardo Bolsonaro na contenção dos danos econômicos, com base nas falas e ideais do próprio parlamentar, sem dados ou comprovações de tal feito.
Considerações finais
A imposição do “tarifaço” de Donald Trump ao Brasil, em abril de 2025, transcendeu as dimensões estritamente comerciais para consolidar-se como um ato de pressão geopolítica e ideológica. Embora justificado inicialmente pela busca de reciprocidade e redução de déficits comerciais, com taxação mínima de 10% sobre exportações brasileiras, o acirramento das tensões revelou que as barreiras tarifárias eram apenas uma faceta de um jogo mais amplo. O estopim da crise demonstrou a inédita interpenetração entre comércio internacional e política judicial interna, uma vez que as tarifas de até 50% foram anunciadas juntamente com críticas diretas do governo Trump ao julgamento de Jair Bolsonaro pelo STF, classificando-o como “caça às bruxas”. Essa ofensiva incluiu a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, em um esforço explícito de Washington em intervir em questões internas brasileiras e condicionar resultados judiciais. Tal escalada simbólica e política representou um precedente perigoso no cenário internacional: o uso de tarifas e sanções unilaterais como meio de intervenção política em democracias estrangeiras. Diante disso, a resposta do Brasil, liderada pelo presidente Lula, foi marcada pela afirmação de que a democracia e a soberania do país são “inegociáveis”, combinando diplomacia, como o acionamento da OMC (apesar dos obstáculos), com a estratégia de autorizar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA.
A cobertura da imprensa brasileira sobre essa crise espelhou o conflito em diferentes ângulos, expondo vieses narrativos que impactaram a percepção pública. A Revista Veja adotou uma abordagem predominantemente informativa, detalhando as decisões do presidente Lula e enfatizando a defesa da soberania nacional, mas sem demonstrar um posicionamento crítico mais aprofundado em relação às medidas governamentais. Por outro lado, a Folha de S. Paulo articulou uma perspectiva implícita liberal-conservadora, focando em impactos quantitativos e detalhados sobre setores estratégicos (como Embraer e agronegócio), e transformando as decisões políticas em problemas de gestão econômica e administração de risco. Essa centralidade no aspecto técnico reforçou a ideia de que o “tarifaço” é um fenômeno gerenciável mediante políticas compensatórias. Contudo, o Plano Brasil Soberano – que previu R$ 30 bilhões em crédito e facilidades tributárias para exportadores afetados – foi criticado justamente por suas limitações, alertando-se que, apesar de robusto, o pacote ofereceria apenas um alívio momentâneo sem resolver o problema central da dependência do mercado norte-americano ou enfrentar a urgência de avanços diplomáticos. O debate, portanto, ressalta a complexidade da crise, que exige do Brasil não apenas medidas econômicas paliativas, mas sim uma redefinição estratégica de autonomia no cenário internacional.
