Ano VI, nº 115, 28 de novembro de 2025
Por Aline Conceição Abrantes da Silva, Beatriz Dantas, Gabrielly Provenzzano, Giovana Amorim Plácido, Luísa Bianchet, Henrique Cochi Bezerra, Maria Emília de J. Cardoso Lírio, Joshua Alves de Oliveira, Sofia Galvez Nogueira, Vitória Matumoto, Vitor Cristian Maciel Gomes, Vitória Maria Breda Veronezi, Yamila Goldfarb e Yohana Campos da Rocha
(Imagem: Ricardo Stuckert/Secom-PR)
As negociações formais terminaram, mas a construção do mapa do caminho e a realização de uma “COP paralela” permanecem no horizonte. Resultados reivindicam a urgência do multilateralismo climático enquanto as negociações acaloradas revelam os obstáculos em mantê-lo.
Nas vésperas de uma agenda de reuniões com líderes mundiais antecedente à abertura da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escreveu em um artigo para O Globo que a comunidade internacional estava prestes a começar a “COP da verdade”. Neste sentido, o presidente objetivava mostrar, através da realidade da floresta e bacia hidrográfica amazônica, a urgência das questões climáticas e da necessidade de elaboração de planos de adaptação, financiamento e implementação de políticas mitigadoras. A declaração de Lula assumia, portanto, uma esperança quanto à adesão dos países-parte às principais negociações climáticas da conferência.
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas é a primeira que aponta a especificidade de um problema e propõe uma solução objetiva para seu enfrentamento: diminuir a dependência de combustíveis fósseis e promover a transição energética justa. Contudo, tornam-se claras as dificuldades intrínsecas às discussões estabelecidas, especialmente no que diz respeito às intransigências apresentadas por países que não estão dispostos a repensar suas principais atividades econômicas ou a se comprometer com iniciativas eficazes de resposta climática em nível global.
A possibilidade de menção explícita à redução do uso de combustíveis fósseis no documento final da conferência incitou retaliação de 82 países, entre eles aliados do Brasil em outros fóruns multilaterais, como China e Rússia, tornando as discussões mais complexas e trazendo à tona a importante questão de como considerar o fortalecimento do multilateralismo frente à dicotomia entre sua defesa e um cenário de individualidade, no qual os países objetivam seus ganhos comerciais particulares e o bem-estar socioeconômico de suas próprias populações.
Nesse contexto, os resultados da COP reiteram a urgência do multilateralismo e de uma articulação conjunta, o chamado “mutirão global”, no âmbito de uma conferência onde o segundo maior consumidor de combustíveis fósseis do mundo esteve ausente. É importante considerar, também, que a COP ainda não terminou, o “mapa do caminho” para eliminação do uso de combustíveis fósseis ficará sob responsabilidade da presidência brasileira e não integrará os textos finais da conferência. Além disso, a Colômbia sediará uma “COP Paralela”, dedicada às discussões sobre eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Sendo assim, a presente edição faz um apanhado das seguintes iniciativas debatidas em Belém:
i. Dificuldades, Entraves e Divergências nas Negociações da COP 30
ii. NDCs 3.0
iii. O NCQG e os Desafios de Belém para o Financiamento Climático
iv. A Meta Global de Adaptação (GGA) e os Indicadores de Belém
vi. Programa de Trabalho Sobre Transição Justa (JTWP)
vii. Balanço Global e Programa de Trabalho de Mitigação: ambição e implementação em mitigação na COP 30
ix. Arranjos Para Reuniões Intergovernamentais (AIM)
x. Novo Plano de Ação de Gênero de Belém: em direção à uma agenda climática equitativa
A COP 30 expõe uma verdade talvez distinta daquela antecipada por Lula: a distância entre os países realmente comprometidos com a agenda climática e aqueles que não estão fica cada vez mais evidente. Percebe-se que os não comprometidos sempre encontram novas justificativas para evitar avanços concretos, atrasando as discussões. Por sua vez, os países dispostos a agir seguem em outra direção, determinados a assumir a liderança em um cenário que exige urgência.
REFERÊNCIAS
CHIARETTI, Daniela. A noite em que a COP30 quase colapsou. Valor, 24 nov. 2025. Disponível em: https://valor.globo.com/brasil/cop30-amazonia/noticia/2025/11/24/a-noite-em-que-a-cop30-quase-colapsou.ghtml. Acesso em: 24. nov. 2025.
LULA, Luiz Inácio. COP30: a hora da verdade. O Globo, Rio de Janeiro, 6 nov. 2025. Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/cop-30-amazonia/noticia/2025/11/06/artigo-cop30-a-hora-da-verdade-escreve-o-presidente-lula.ghtml. Acesso em: 24 nov. 2025.
REDAÇÃO G1. Mapa do caminho fica fora dos textos da COP30 e vai ser uma iniciativa da presidência brasileira, diz André Corrêa do Lago. G1 – Meio Ambiente, 22 nov. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/cop-30/noticia/2025/11/22/mapa-do-caminho-fica-fora-dos-textos-da-cop30-e-vai-ser-uma-iniciativa-da-presidencia-brasileira-diz-andre-correa-do-lago.ghtml. Acesso em: 24 nov. 2025.
