A Guerra Irã vs EUA e Israel: uma análise das implicações geopolíticas e estratégicas 

Ano VII, nº 122, 10 de Abril de 2026

     

Por Elias David Morales Martinez, Abner Carvalho e Souza, Brunno Gonçalves Simões Bergamo, Camila Alves Moraes da Silva, João Victor Vieira de Almeida, Karina Vieira de Melo, Lucas Faustino de Oliveira, Marcial Suarez, Márcio Rocha da Silva Filho, Mayara Alexandra Pereira Dias, Ronaldo Galdino, Shara Karoline Meireles de Santana e Thiago Lacerda Nobre (Imagem: Unsplash)

     

Irã: Contexto Histórico e Motivações para o Início do Conflito

      

Desde o dia 28 de fevereiro de 2026, as tensões já existentes no Oriente Médio se tornaram ainda mais acirradas após um ataque realizado por Estados Unidos e Israel contra bases militares no Irã. Entretanto, o ataque não foi algo inesperado e despropositado, pelo contrário, foi resultado de uma série de hostilidades já trocadas pelos países há muito tempo. Para compreender as raízes desse conflito, é preciso, retomar brevemente o contexto histórico do Irã e suas relações com os demais países envolvidos.

     

A República Islâmica do Irã possui caráter teocrático, o que significa que há uma estrutura de poder verticalizada, tendo como o topo da hierarquia  a figura do Aiatolá, cargo vitalício, de cunho político e religioso. O Aiatolá é o líder supremo, responsável por validar a eleição do Presidente da República, bem como nomear os comandantes militares, além de escolher seis membros do Conselho de Guardiões. Além da figura do líder supremo, existe também a Assembleia de Especialistas, que escolhe o Aiatolá, e tem a função de assessorá-lo, fiscalizá-lo e até destituí-lo. Apesar de eleitos por sufrágio universal, as candidaturas devem ser aprovadas pelo Conselho dos Guardiões. O Presidente da República, com mandato de 4 anos, também é eleito por voto popular, e as candidaturas podem ser barradas previamente pela estrutura clerical. A maioria da população do Irã adota o islamismo xiita, e se contrapõe fortemente ao sunismo, adotado na região pelo Iraque e pela Arábia Saudita.

       

Na região do Golfo, o Irã disputa poder com a Arábia Saudita, no que concerne à precedência sobre o islamismo na região e na tentativa de impor o xiismo, em detrimento de outras correntes, sobretudo o sunismo. Essa disputa se materializou em diversas ocasiões, na Síria, Líbano, Omã, Iêmen, e na Guerra Irã-Iraque nos anos 80. O grande inimigo regional, no entanto, é o Estado de Israel.

      

O Irã se opôs à partilha da Palestina desde a propositura inicial, tendo votado contra a Resolução 181 da ONU em 1947,  que estabeleceu a criação do Estado judeu. Apenas em 1950 o Xá – antigo cargo de chefe de Estado iraniano –  Reza Pahlevi implementou  relações diplomáticas parciais com Israel, não apenas para atender a interesses do Ocidente, como também por enxergar em Israel um empecilho para as pretensões do líder egípcio Abdel Nasser.

     

Na Revolução Islâmica de 1979 o cenário mudou. Khomeini – o primeiro aiatolá a liderar o país – rompeu relações com Israel, iniciou um período de oposição radical aos judeus, nomeando Israel como “Pequeno Satã” (o “Grande Satã” são os EUA). A extinção do Estado de Israel passou a ser uma política de Estado iraniana. Alinhado à esta ideologia, o país também passou a ter estremecimentos em suas relações com os Estados Unidos, em uma luta contra o ocidentalismo promovido pela potência no Oriente Médio. 

      

Pouco tempo após a revolução de 1979, o Irã iniciou seu programa nuclear, o que fez com que as relações com os EUA piorassem, e se iniciasse o longo período de sanções norte-americanas contra o Irã. É justamente nesse ponto que se concentram as tensões entre EUA e Irã, pois Washington acusa Teerã de ter urânio enriquecido o suficiente para produzir armas nucleares. De um lado, tem-se as investigações promovidas pela Agência Internacional de Energia, revelando intensas e frequentes movimentações feitas nas instalações nucleares iranianas desde os anos 1980, o que coloca o país sob suspeita constante; do outro, sabe-se que o Irã assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) em 1968, e o ratificou em 1970, assumindo assim o compromisso formal de não enriquecer urânio para a construção de armas nucleares. Ainda assim, estas suspeitas foram algumas das motivações que iniciaram os ataques promovidos por EUA e Israel no último mês.

        

Em meio aos ataques do dia 28 de fevereiro, o líder supremo Ali Khamenei acabou sendo morto, bem como outras lideranças políticas importantes iranianas. É válido ressaltar que, no cenário interno, o Irã enfrentava uma crise resultante tanto de pressões sistêmicas – como as sanções – quanto por manifestações. A grande insatisfação popular, crescente desde 2022 com o assassinato da jovem Mahsa Amini chegou ao seu auge este ano, marcada por revoltas principalmente de jovens, contra a repressão política no país. Muitos civis iranianos que protestavam contra o governo acabaram sendo duramente contidos e assassinados, gerando mais insatisfação. Se a situação do Irã já estava fragilizada, os ataques do dia 28 de fevereiro apenas agravaram o cenário, pois o país se vê agora pressionado a lidar com problemas internos e externos extremamente sensíveis. Em meio a tudo isso, um novo líder supremo foi anunciado, Mojtaba Khamenei, filho do antigo aiatolá, fazendo com que a política já implementada no país há anos tivesse uma continuidade, mesmo em meio aos conflitos recentes.

        

O Irã, enquanto um país isolado economicamente devido às sanções impostas pelas potências ocidentais e lidando com crises internas, ainda tenta se manter influente no Oriente Médio, buscando por aliados estratégicos. Como a maioria dos países à sua volta são aliados aos EUA, o Irã procura apoio através de atores não estatais, financiando grupos e facções da região, como o Hezbollah no Líbano, o Houthis no Iêmen e o Hamas na Palestina. Esse complexo de aliados do Irã é denominado de “Eixo de Resistência”, formado por grupos que seguem a ideologia de não alinhamento aos EUA, e negação à existência do estado de Israel.

       

Nesse contexto, após ser atacado por Israel e EUA, o Irã iniciou seu processo de retaliação. A estratégia empregada pelo país, no entanto, vai além de simplesmente atacar o inimigo militarmente. 

         

A Estratégia Empregada pelos Principais Atores Envolvidos: EUA X Irã

      

 Caracterizada como uma guerra de escolha, ou seja, decorrente de uma decisão política de recorrer ao instrumento militar para conquistar objetivos que poderiam ser alcançados por meio da diplomacia, a Guerra no Irã acirra um cenário geopolítico no Oriente Médio que tem sido interpretado como um quadro de escalada deliberada de tensões, cuja dinâmica foi impulsionada por iniciativas israelenses que acabaram por envolver diretamente os Estados Unidos no conflito.

       

A intensificação das hostilidades ao Irã atingiu patamares críticos, especialmente em razão de ataques direcionados à infraestrutura energética civil, fator que desencadeou efeitos sistêmicos na economia internacional. Entre eles, destacam-se a elevação dos preços da energia, pressões inflacionárias globais e repercussões diretas sobre o ambiente político doméstico norte-americano, incluindo impactos no debate eleitoral. 

         

Nesse sentido, o Irã tem adotado uma abordagem assimétrica, na qual busca constranger Estados Unidos, Israel, os demais países do Golfo Pérsico, e de certo modo, toda economia global. Em suma, sua estratégia busca impor custos elevados e prolongados aos adversários, tornando o conflito financeiramente insustentável. Entre as táticas empregadas, incluem-se ações voltadas à interrupção parcial de rotas estratégicas de navegação, como é o caso do Estreito de Ormuz, bem como ataques a infraestruturas energéticas e instalações militares associadas aos Estados Unidos nos países aliados da região. Tal postura revela uma aposta na erosão gradual da capacidade política e econômica dos oponentes, com a expectativa de produzir efeitos indiretos sobre sua estabilidade interna.

             

Além disso, ao reconhecer que o território continental dos Estados Unidos está além de seu alcance operacional direto, o Irã foca seus ataques às bases militares norte-americanas distribuídas pela região, particularmente em países árabes vizinhos, que configuram alvos acessíveis dentro de seu raio de atuação e que, na mesma lógica, dá revezes econômicos grandes o suficiente para desestabilizar uma guerra duradoura.

           

Adicionalmente, o modelo organizacional iraniano, baseado em estruturas de comando descentralizadas, conhecido como Defesa Mosaica Descentralizada (Decentralized Mosaic Defense, em inglês) tem sido apontado como um fator de resiliência operacional. Essa configuração reduz a vulnerabilidade a estratégias de “decapitação”, quando há a eliminação de lideranças centrais, e amplia a autonomia tática de comandantes em campo, contribuindo para a continuidade das operações mesmo diante de perdas significativas.

            

Nesse contexto, do outro lado do conflito, tem sido amplamente discutida a emergência de divergências públicas entre lideranças políticas dos Estados Unidos e de Israel. Tais tensões refletem não apenas desacordos estratégicos, mas também preocupações de ordem econômica e política interna, sobretudo quanto aos custos prolongados do conflito e seus desdobramentos eleitorais.

         

Do ponto de vista militar, a estratégia adotada por Estados Unidos e Israel fundamenta-se na exploração de sua superioridade tecnológica e operacional, com ênfase no controle do espaço aéreo e na condução de ataques de precisão contra alvos estratégicos iranianos. Essa abordagem visa desarticular capacidades militares do Irã, incluindo sistemas de mísseis, drones e instalações industriais sensíveis, com o objetivo mais amplo de reduzir sua influência regional. No caso israelense, analistas também apontam motivações domésticas, sugerindo que a continuidade do conflito pode operar como mecanismo de sustentação política interna e de contenção de pressões institucionais.

             

Entretanto, essa estratégia enfrenta limitações relevantes, principalmente aquelas relacionadas aos constrangimentos logísticos, como a disponibilidade de armamentos e a crescente pressão internacional por soluções diplomáticas, especialmente por parte de aliados que demonstram preocupação devido aos custos humanos e econômicos com o  prolongamento do conflito.

          

Assim sendo, o conflito evidencia um embate entre modelos estratégicos distintos: de um lado, a primazia tecnológica e militar convencional; de outro, a lógica de desgaste econômico e adaptação assimétrica. Tal dinâmica reforça a complexidade do cenário contemporâneo, no qual fatores militares, econômicos e políticos se entrelaçam de maneira decisiva.

        

Questão Armamentícia do Conflito: A Guerra Hipersônica 

        

Distintas táticas e formas de emprego de arsenais são observadas no conflito que se estende desde 28 de fevereiro de 2026. Enquanto EUA e Israel dispõem de caças de última geração, mísseis hipersônicos e armas de precisão em profusão – além do controle da faixa cibernética – o Irã possui um menor estoque de armas tecnológicas. Do lado iraniano, existe a  possibilidade de atingir alvos mais próximos, sobretudo em território israelense, mas também utilizando estes artefatos para atacar alvos militares americanos situados no entorno do Oriente Médio. Para compensar a limitação de material bélico, o emprego tático das Forças Armadas iranianas foca na saturação de área, sendo a primeira vez que o conceito é empregado largamente num conflito.

             

Essa tática diz respeito ao uso em larga escala de meios bélicos, na maioria das vezes de baixo custo, para tornar viável seu emprego maciço. Um sistema de defesa deve identificar o ataque, processar trajetória, escolher o meio de defesa, assinalar o alvo, disparar e atingir o objeto ofensivo, antes que este possa causar danos. Em caso de saturação, o número de objetos a serem interceptados é excessivo, o que torna os procedimentos de defesa mais ineficazes, mesmo que sejam automatizados com uso de Inteligência Artificial e meios de detecção sofisticados. 

            

Além do sistema de defesa, há também a avaliação do alvo escolhido, para verificar se é válido atingi-lo ou não, o que é chamado de alvo compensador. Sua relevância está ligada a fatores como os custos e disponibilidade do armamento utilizado para atingir o alvo, sua capacidade de dano, e o que será danificado, caso o alvo não seja destruído. Em meio a esta tática, o Irã mescla armas high tech com armas low tech, ou seja, emprega meios bélicos nobres em conjunto com meios de baixo custo e pouca tecnologia, como drones comuns.

            

A tática empregada é a de enxame (swarms), com drones baratos como o Shahed, em conjunto com mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos. A saturação ocorre porque não é possível distinguir rapidamente cada um dos artefatos ofensivos. Os drones Shahed confundem os sistemas de deteção, enquanto alvos são atingidos por mísseis de cruzeiro, que possuem a capacidade de vôo a baixa altitude e desviam  as diversas formações do relevo geográfico. Os mísseis balísticos podem ser disparados e atingir velocidade hipersônica, não necessariamente na trajetória inicial, mas na trajetória de reentrada. Os Fattha1 e Fattha2 são mísseis com velocidade acima de Mach15, e o segundo possui capacidade de planeio , o que o torna um objeto difícil de ser atingido, com trajetória variável e de baixa previsibilidade. Esses mísseis também conseguem transportar ogivas com cargas maiores e capacidade destrutiva ampliada. Deve-se levar em conta que vários dispositivos de detecção, centrais de tiro (que calculam a resposta) e baterias antiaéreas estão sobrecarregadas com os demais itens do enxame, além de ser provável que os drones simples causem danos à estrutura de defesa e interceptação, o que torna o cenário caótico para controladores e artilheiros cuja missão é interceptar as armas de agressão.

            

Essas tecnologias de guerra foram empregadas pelo Irã em seu movimento de contra-ataque aos países vizinhos e aliados dos EUA, e  junto à  sua estratégia de guerra, causaram consequências e desdobramentos estratégicos na região.

         

Análise Geopolítica: Consequências da Retaliação Iraniana

           

A retaliação conduzida pelo Irã faz parte de sua estratégia para atingir seus inimigos de formas que vão além da perda militar, mirando também enfraquecer energicamente seus adversários, afetando assim sua economia. Para compreender como isso ocorre, basta analisar os ataques realizados pelo Irã em resposta à investida militar dos EUA e Israel.

           

Teerã começou sua ofensiva atacando os países do Oriente Médio aliados aos EUA, sendo eles Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar, Síria, Egito, Bahrein e Kuwait. No geral, os principais alvos foram as bases norte-americanas que se encontram na região, mas outras locações importantes também foram atingidas, como um aeroporto e o Instituto de Segurança Social em Kuwait, e uma planta de dessalinização de água no Bahrein.

          

A estratégia empregada pelo Irã fica mais clara quando as instalações energéticas desses países foram atingidas, principalmente  o centro energético saudita no Mar Vermelho, além de outras instalações na Arábia Saudita e Emirados Árabes. No Catar, a situação tornou-se precária após o ataque realizado a uma das maiores instalações do mundo de exportação de Gás Natural, interrompendo o comércio catariano de Gás Natural Liquefeito (GNL) e de gás hélio, lembrando que  o país é um dos maiores produtores no mundo deste último. Assim, o objetivo iraniano torna-se claro: enfraquecer energeticamente seus adversários, atacando suas instalações e dificultando sua obtenção de recursos.

          

Além dos ataques diretos aos países do Golfo Pérsico, o Irã também está utilizando o Estreito de Ormuz como um importante recurso estratégico. O trecho consiste em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e Mar Arábico, por onde cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo precisa atravessar diariamente. Teerã anunciou que esta rota comercial estaria fechada para os EUA e seus aliados desde o início dos ataques e desde então, o preço do petróleo têm sofrido constantes aumentos  de acordo com a escalada do conflito. Assim, percebe-se que a estratégia empregada pelo Irã faz com que o conflito não se limite apenas ao âmbito militar, tornando-se também uma guerra econômica e energética pelo controle de uma parte do comércio de petróleo mundial.

           

Recentemente, Israel promoveu uma nova onda de ataques a instalações energéticas iranianas, o que fez com que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) fizesse uma ofensiva contra bases militares israelenses acirrando as tensões no Estreito de Ormuz. Segundo o Ministério de Relações Exteriores do Irã, a rota permanece aberta para países parceiros, mas fechada para os EUA e seus aliados. Do outro lado, Donald Trump pressiona para que Teerã reabra o estreito.

            

As tensões no Oriente Médio parecem estar longe de acabar. Em meio a propostas frustradas de cessar-fogo, ataques israelense e norte-americanos ao Irã, e contra-ataques iranianos aos demais países, a tendência é do conflito escalar. Recentemente, Arábia Saudita e Emirados Árabes ameaçaram se envolver diretamente no conflito se o Irã continuasse a utilizar seu espaço aéreo para atacar instalações de recursos vitais, como energia. Ao mesmo tempo, o Iraque, até então considerado um país neutro na região, se pronunciou recentemente, sendo abertamente contra as ações dos EUA e Israel, e dispostos a se auto defenderem com o apoio do Irã. O alinhamento com Teerã é seguido pelo Hezbollah, membro do Eixo de Resistência. Ainda assim, países como a Turquia, Egito e outros, estão fazendo seus esforços diplomáticos para que o conflito chegue a um fim. 

 

Apelo à Diplomacia: Posicionamento Brasileiro em Relação ao Conflito

 

O Brasil tem uma forte tradição diplomática, calcada em três pilares construídos ao longo da trajetória do serviço de relações exteriores: equidistância pragmática, neutralidade e autonomia, sempre enfatizando soluções negociadas e fomentado o respeito ao direito internacional. Podemos verificar este posicionamento, na prática, desde a guerra entre  Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022.

        

No conflito EUA/Israel x Irã, o Brasil tem defendido com mais veemência o conceito de autonomia dos povos e nações, condenando os ataques norte-americanos e israelenses contra o território iraniano. Esse posicionamento é visto por muitos como coerente com a ótica de multilateralismo e cooperação que o país tem apregoado, apesar de desagradar tanto setores da direita brasileira quanto o governo Trump. A posição oficial do Itamaraty  (nota à imprensa nº 66, de 28/02/2026) condena os ataques, porem mantém um tom mais brando. No entanto, lideranças importantes e que ocupam posição de destaque no governo, como a ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann, têm um discurso mais ácido e direto.

         

Com essa posição, não podemos afirmar que haja uma equidistância, já que o Brasil tece críticas à ação americano-israelense, mas permanece neutro, no sentido diplomático da palavra, já que não acena com nenhuma ação que possa obstar a conduta dos EUA, Israel ou Irã ou nenhuma forma de intervenção no conflito.

         

O posicionamento do Brasil  se alinha com a Organização das Nações Unidas (ONU) e grande parte das lideranças mundiais, como Rússia, China e Espanha, mas influencia negativamente as relações com os EUA, já que Donald Trump tem se mostrado avesso até mesmo a posições de neutralidade de aliados, dos quais cobra cooperação com os Estados Unidos no conflito. Negar o uso de bases militares assim como o envio de tropas ou embarcações tem sido visto pelos EUA como um sinal de  “traição”. Essa neutralidade ativa do Brasil também é, de alguma forma,  indigesta para o modo de pensar do governo Trump.

       

A influência da Guerra para o Brasil perpassa as  declarações brasileiras assim como o posicionamento diplomático do país. O estreito de Ormuz é um dos principais gargalos energéticos do mundo, com cerca de 20 a 25% do escoamento mundial de petróleo passando pelo estreito, além de outros produtos, como 15% dos grãos,  25% do comércio mundial de fertilizantes e 35% de químicos e plásticos. No caso brasileiro, o estreito de Ormuz é um ponto logístico de suma importância para as commodities vendidas aos países árabes, com destaque para madeira e proteína animal. Dessa forma, fica nítido como os conflitos ocorrendo no Oriente Médio causam repercussões por todo o mundo, incluindo países que não estão diretamente envolvidos, como é o caso do Brasil e de outros países dependentes dos produtos que vêm e circulam pela  da região. Resta no momento acompanhar as atualizações do desenrolar dos acontecimentos,  visto que novas variáveis surgem a cada dia eque podem alterar o destino final desta guerra.

         

Referências 


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