Entre o Comércio e a Segurança Regional: O Encontro Bilateral Brasil- Estados Unidos

Ano VII, nº 126, 4 de junho de 2026 

Por  Ana Flávia N. G. Camargo, Antônio Marcos Roseira, Édina Maria Santos Silva, Luiz Gustavo Ferreira da Silva, Maria Clara Castro de Souza, Maria Luisa Morais de Souza (Imagem: Ricardo Stuckert / PR

O presente artigo analisa o encontro bilateral entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio de 2026. Discute-se a trajetória histórica da política externa brasileira e sua relação com os Estados Unidos, bem como temas relacionados ao comércio, ao narcotráfico, à segurança internacional e às disputas geopolíticas contemporâneas que atravessam o Hemisfério Ocidental. 

Introdução

A política externa do Brasil fundamenta-se historicamente na valorização de alianças internacionais, ao mesmo tempo em que busca preservar um determinado grau de autonomia estratégica. Essa diretriz externa permitiu ao país manter relações tanto com os Estados Unidos quanto com parceiros estratégicos de diferentes regiões do sistema internacional, alinhando tais cooperações ao interesse nacional. 

Observa-se, contudo, que esses vínculos políticos podem sofrer diferentes níveis de aproximação ou distanciamento de acordo com as lideranças governamentais e os interesses estratégicos dos Estados. Nesse contexto, o artigo analisa a articulação política entre os Estados Unidos e o Brasil  sob influência dos Governos Lula 3.0 e Trump 2.0, bem como os impactos da atual reorganização geopolítica do Hemisfério Ocidental. 

Análise Histórica da Política Externa Brasileira 

A reformulação da política externa brasileira é vista como um dos marcos do terceiro  mandato do Governo Lula. Após um período de relativo isolamento diplomático durante o governo anterior, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou reconstruir a inserção internacional do país por meio da retomada da participação em fóruns multilaterais e do fortalecimento de parcerias bilaterais (FALEIRO, 2025). Isso tudo configura uma análise pragmática das relações bilaterais do Governo Lula 3.0 com o Governo Trump 2.0. Menciona-se, portanto, como o Governo Lula, desde seu primeiro mandato, propôs mudanças em relação à condução da política externa  de seus antecessores, especialmente ao priorizar as negociações comerciais internacionais (VIGEVANI; CEPALUNI, 2007).

Mesmo após duas décadas, nota-se que parte dessa lógica é uma herança brasileira vinculada às escolas de José Maria da Silva (Barão do Rio Branco) e Joaquim Nabuco. Esses diplomatas valorizavam as alianças políticas internacionais, sobretudo com os Estados Unidos, como instrumento de fortalecimento da posição internacional brasileira, garantindo liberdade para negociar com outras nações (CERVO; BUENO 2002). Paralelamente, a diplomacia brasileira preserva a busca por autonomia política, uma característica que, desde a independência e ao longo da sua história republicana, consolidou-se como um eixo central no debate sobre a política externa (VIGEVANI; CEPALUNI, 2007). 

Sob essa ótica, analisa-se brevemente o histórico das relações entre as administrações Lula 3.0 e Trump 2.0 a fim de compreender a relevância da agenda política debatida no encontro bilateral em maio de 2026. Após retomar à Casa Branca em 2025, Donald Trump adotou medidas que intensificaram tensões comerciais com parceiros estratégicos, incluindo o Brasil. Em abril de 2025, os EUA anunciaram tarifas de 10% sobre produtos brasileiros, aprofundando divergências econômicas entre Washington e Brasília (BBC NEWS, 2025). Paralelamente a esses atritos comerciais, episódios políticos e institucionais contribuíram para um desgaste diplomático entre os dois países. As críticas envolvendo Elon Musk, que era associado ao Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) e decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro ampliaram atritos entre setores políticos, como acusações de abuso de poder direcionadas ao ministro Alexandre de Morães (PECEQUILO, 2025). Nesse mesmo contexto, em agosto de 2025, Donald Trump pressionou publicamente o Brasília a interromper o processo judicial relacionado à tentativa de golpe envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (BBC NEWS, 2025).

A combinação entre disputas econômicas, tensões institucionais e impasses políticos aprofundou o desgaste nas relações bilaterais, resultando em ameaças de ampliação tarifária sobre exportações brasileiras e debates acerca da aplicação da Lei Magnitsky Global contra autoridades e cidadãos do país (PECEQUILO, 2025). Apesar disso, o Governo Lula manteve postura de resistência às pressões externas e internas, reafirmando a defesa da soberania brasileira (PECEQUILO, 2025). Ainda em outubro de 2025, Lula e Trump realizaram uma breve reunião bilateral marcada pela reabertura dos canais diplomáticos e pela busca de soluções pragmáticas para as impasses existentes (PECEQUILO, 2025). Dessa forma, atenta-se que, embora o vínculo político entre os dois países tenha sido marcado por turbulências ao longo de 2025, observou-se uma gradual retomada do diálogo, evidenciada novamente na visita de Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca em maio de 2026.

A Agenda Política na Relação entre Brasil e Estados Unidos 

Em 07 de Maio de 2026, Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva protagonizaram um encontro relevante para a agenda bilateral entre os dois países. Em uma reunião de mais de 2 horas, sem a permissão da imprensa, os líderes políticos deram “um passo importante para consolidar a relação entre os dois países”, disse Lula (REUTERS, 2026). Durante essa agenda, temas centrais importantes foram tratados, desde relações comerciais a questões estratégicas. No campo da segurança internacional, destacou-se o debate sobre a reforma do Conselho de Segurança (CSNU), em que Lula afirma ter pressionado Trump para que membros permanentes da instituição liderem uma reformulação do órgão. Ressalta-se que o Conselho de Segurança da ONU foi criado em 1945, após a Segunda Guerra Mundial, a fim de garantir a paz e a segurança internacionais (NAÇÕES UNIDAS, 1945). O órgão é composto por 15 membros, e cada um tem direito a um voto, embora haja 5 membros permanentes — EUA, China, Reino Unido, França e Rússia — que detém poder de veto sobre resoluções (NAÇÕES UNIDAS, 1945). A retomada da reforma do CSNU não é uma temática nova para a diplomacia brasileira e o interesse em se tornar um membro permanente também não, visto que, em 2005, sob a presidência do primeiro Governo Lula, junto com o Japão, a Índia e a Alemanha, o Brasil formou o G4 e solicitou uma reforma que incluía a entrada destes quatro países como membros permanentes do Conselho, além de mais duas vagas para representantes do continente africano (WEISS, 2012). Essa pauta evidencia o interesse brasileiro em ampliar sua participação em decisões internacionais.

Simultaneamente à essas discussões, temas relacionados à segurança regional e à estabilidade geopolítica também foram pautados. Sob essa ótica, Cuba foi um tema enfatizado pelo presidente brasileiro, atentando-se encontrar uma solução para o embargo dos EUA (EL PAÍS, 2026). Cuba é vista como um possível alvo de Washington desde a publicação do documento de Segurança Nacional (HO; ENGLER, 2026). As tensões entre os governos cubano e estadunidense emergem durante a Guerra Fria, e se perpetuam até o século XXI. Nos últimos anos, o país caribenho recebeu ajuda e apoio de adversários extra-hemisféricos norte-americanos, como a China e a Rússia, e tem laços com o Irã (HO; ENGLER, 2026). Diante dessa perspectiva, o regime comunista cubano e seu conjunto de alianças internacionais  são percebidos como ameaças estratégicas pelos Estados Unidos e, como consequência, embargos econômicos e possibilidade de intervenção à Ilha são reflexos desses impasses geopolíticos.

Por último, outro aspecto relevante abordado foram as disputas entre Estados Unidos e Irã. Nesse contexto, durante o encontro, Lula criticou duramente as ameaças norte-americanas ao Irã, e defendeu o respeito à soberania (EL PAÍS, 2026). A crise de segurança internacional envolvendo os dois países repercutiu após o o assassinato do líder supremo do país, o aitolá Ali Kahameni em um ataque em fevereiro de 2026, no Teerã, que partiu dos Estados Unidos e de Israel (EFRRAGAMO, 2026). Essa guerra desencadeou um conflito regional que estrangula o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, ponto crucial para um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural, e ameaça os mercados de energia (FERRAGAMO, 2026). O aumento das intervenções norte-americanas e israelenses acentuam uma crise no multilateralismo global, com ameaças à segurança internacional e ao comércio global. 

Narcotráfico, Soberania e Hegemonia: as Relações Brasil–Estados Unidos no Segundo Governo Trump 

As relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, no contexto do segundo governo de Donald Trump, vêm sendo progressivamente reorganizadas em torno de uma agenda de segurança hemisférica centrada no combate ao narcotráfico, ao crime organizado transnacional e aos fluxos ilícitos que atravessam o continente americano. A recente iniciativa conjunta anunciada entre os dois países, envolvendo integração de inteligência financeira e compartilhamento de dados para interceptação de armas e narcóticos, demonstra a centralidade assumida pela cooperação securitária nas relações contemporâneas entre Brasília e Washington. Tal movimento insere-se em um contexto mais amplo, marcado pelo fortalecimento da política externa norte-americana voltada à segurança regional, sobretudo após a retomada pelo governo Trump de uma perspectiva bastante coercitiva das relações internacionais.

Nesse cenário, o fenômeno deixa de ser um mero problema de segurança pública, passando a adquirir uma relevância geopolítica. A retomada do conceito de “narcoterrorismo” busca associar organizações criminosas latino-americanas à categoria de ameaça terrorista, legitimando políticas repressivas excepcionais e ampliando a margem de atuação dos Estados Unidos sobre a América Latina (Gaspar, 2026). Desde a chamada “Guerra às Drogas”, iniciada na administração Richard Nixon na década de 1970, o combate às drogas foi progressivamente transformado em instrumento de manutenção da hegemonia estadunidense no continente. A associação entre narcotráfico, insurgência e terrorismo permitiu Washington justificar mecanismos de pressão diplomática, cooperação policial assimétrica, e, em muitos casos, formas diretas de intervenção política e militar no subcontinente. 

Sob a perspectiva geopolítica, o narcotráfico representa uma das principais ameaças contemporâneas à soberania nacional do Brasil. A posição territorial brasileira, compartilhando extensas fronteiras com nações que são grandes produtores de cocaína, como Colômbia, Peru e Bolívia, converte o país em espaço estratégico das rotas internacionais de circulação de drogas ilícitas. A geógrafa Lia Osório Machado (2011) afirma que a economia desse mercado ilegal adquiriu dimensão global devido à articulação entre organizações transnacionais, sistemas internacionais de lavagem de dinheiro e redes financeiras que escapam ao controle dos Estados nacionais. Segundo a autora, a chamada “geopolítica das drogas” produziu uma redefinição da própria noção de soberania, uma vez que a segurança interna dos países passou a depender cada vez mais dos mecanismos internacionais de cooperação e vigilância. Dessa forma, a repressão ao tráfico deixa de ser questão puramente doméstica e passa a integrar uma estrutura transnacional de segurança articulada por interesses políticos e estratégicos globais.

No caso brasileiro, o fortalecimento de organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) evidencia a constituição de territorialidades paralelas que desafiam diretamente a autoridade do Estado. Esses grupos controlam rotas de tráfico, circulação de armas, redes financeiras ilícitas e determinados espaços urbanos periféricos e fronteiriços, comprometendo o monopólio legítimo da força, atributo essencial da soberania estatal moderna. Além disso, a utilização de portos, aeroportos e corredores logísticos nacionais pelas redes internacionais do narcotráfico demonstra como a economia ilícita se apropria das infraestruturas da globalização econômica contemporânea. Nesse sentido, o tráfico de drogas não apenas amplia a violência interna, mas também fragiliza a capacidade estatal brasileira de controlar plenamente seu território e suas fronteiras.

Entretanto, a cooperação bilateral nesse campo apresenta caráter profundamente ambivalente. Embora o compartilhamento de inteligência, tecnologia e monitoramento financeiro possa fortalecer as capacidades brasileiras de combate ao crime organizado, a experiência latino-americana demonstra que a agenda anti drogas frequentemente operou como mecanismo de ampliação da influência política e securitária norte-americana sobre a região. O discurso do narcoterrorismo funciona como instrumento de legitimação de práticas de ingerência externa, seja por meio de cooperação coercitiva, seja por mecanismos indiretos de pressão política e diplomática. Dessa forma, no contexto do atual governo Trump, o combate ao narcotráfico assume uma dupla dimensão: ao mesmo tempo que é problema real de segurança nacional brasileira,  constitui-se em um elemento altamente estratégico das disputas hegemônicas em andamento por todo o Hemisfério Ocidental.

Dessa maneira, o problema das drogas ilícitas deve ser compreendido para além de sua dimensão criminal. Trata-se de um fenômeno relacionado às disputas de poder no sistema internacional, à reorganização das estruturas de segurança global, e às tensões entre a cooperação internacional e a preservação da soberania nacional. Para o Brasil, o maior desafio consiste em enfrentar o avanço do crime organizado transnacional sem permitir que a necessária cooperação securitária resulte em dependência estratégica ou relativização de sua autonomia decisória perante os interesses das grandes potências.

Tarifas Comerciais e Terras Raras: Economia, Dependência e Competição Estratégica

Sob a ótica do “America First”, a política comercial dos Estados Unidos evidencia como as tarifas podem ultrapassar sua função tradicional e assumir papel estratégico como instrumento de barganha política..Nesse contexto de intensificação das disputas econômicas entre Brasília e Washington, a Ordem Executiva publicada por Washington em 20 de fevereiro de 2026 estabeleceu uma tarifa linear global de 10% sobre as importações (GOVERNO FEDERAL, 2026). Essa ação afeta diretamente setores cruciais do setor exportador brasileiro e faz parte de uma estratégia agressiva que já vinha se desenhando desde o ano anterior, quando o governo norte-americano ameaçaram e aplicaram medidas recíprocas contra diversos parceiros comerciais (BBC, 2025). Na prática, o governo de Donald Trump passou a utilizar as instituições e o peso do mercado consumidor americano de forma coercitiva: para manter o acesso comercial sem sobretaxas sufocantes, muitos países vizinhos se veem pressionados a ceder às exigências de Washington em áreas que vão desde a segurança até o controle de fronteiras (BBC, 2025).   

A resposta de Brasília a esse cenário de tensões comerciais constituiu um dos principais fatores para o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, com o objetivo de ampliar canais diretos de negociação e flexibilizar parte das tarifas impostas. Na oportunidade, a diplomacia brasileira tentou resolver problemas complexos que transcendem as barreiras alfandegárias tradicionais: Lula pediu formalmente que os EUA encerrassem uma investigação comercial relacionada ao pix (O GLOBO, 2026). Como desdobramento prático desse encontro, os dois países criaram um Grupo de Trabalho (GT) bilateral. O GT iniciou muito rapidamente as tratativas técnicas entre Brasília e Washington para revisar as alíquotas e estruturar um acordo que evite a imposição de novas barreiras punitivas (FOLHA DE SÃO PAULO, 2026; G1, 2026).

Essa formulação bilateral pode ser tratada como uma tentativa do Brasil de restabelecer a previsibilidade comercial e mitigar o impacto nas empresas nacionais face à instabilidade das decisões unilaterais americanas. No entanto, essa postura protecionista dos Estados Unidos gera distorções que desafiam os próprios interesses de longo prazo de Washington na região. Ao impor barreiras severas e ameaçar parceiros históricos que buscam manter autonomia em sua política externa, a Casa Branca acaba provocando um desvio indesejado de comércio (G1, 2025). Como as regras do mercado norte-americano tornaram-se voláteis e imprevisíveis, o país é compelido a acelerar a diversificação de seus mercados globais, estreitando laços econômicos e logísticos com potências do BRICS, especialmente a China, para não ficar vulnerável aos humores de Washington (BBC, 2025). Sob essa perspectiva, observa-se que a adoção contínua de medidas tarifárias coercitivas tende a enfraquecer a influência e a capacidade de articulação norte-americana no Hemisfério Ocidental, favorecendo a aproximação das principais economias da América Latina a adversários econômicos de Washington.    

Paralelamente aos temas discutidos durante a reunião, destaca-se os minerais críticos nas relações econômicas contemporâneas. Diante dessa análise, recursos como terras raras, cobalto, lítio e grafite vêm se consolidando como elementos estratégicos para a transição energética, para a indústria de defesa e para a atual corrida pela liderança tecnológica global. Nesse cenário, a China ocupa posição de destaque ao concentrar parte significativa da cadeia de produção desses recursos (AGÊNCIA BRASIL, 2026; CNN, 2025 

Nesse contexto, os Estados Unidos buscam ampliar seu acesso e influência sobre reservas desses recursos estratégicos, especialmente em regiões consideradas geoestrategicamente relevantes, como a Ucrânia e a Groenlândia. Como exemplo, destaca-se o caso ucraniano, em que o governo norte-americano exigiram um acordo que permitiria aos norte-americanos explorarem esses recursos estratégicos ucranianas em troca de suporte econômico e comercial. Esse acordo estaria associado ao apoio bélico e militar fornecido pelo país ao longo dos três anos de conflito com a Rússia (BBC, 2025). A Groenlândia, por outro lado, um território autônomo pertencente à Dinamarca, destaca-se, sobretudo, por possuir extensas reservas inexploradas de minerais críticos, fator que tem despertado crescente interesse internacional. 

No contexto das disputas contemporâneas por minerais críticos, o Brasil ocupa posição de destaque por deter cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, embora responda por apenas 1% da produção global do minério (NATIONAL MINERALS INFORMATION CENTER, 2025). Contudo, o país enfrenta limitações estruturais e tecnológicas relacionadas ao processamento e à exploração desses minerais. Isso ocorre porque parte significativa dessas reservas está localizada na Floresta Amazônica, região marcada por recorrentes debates acerca da preservação ambiental e da exploração econômica de recursos naturais.  Além disso, a etapa de refino dos minerais críticos permanece como um dos principais obstáculos para a inserção competitiva do Brasil nas cadeias globais de valor desse setor. 

Ressalta-se, portanto, que, durante o encontro, o presidente Lula manifestou interesse em ampliar a abertura do mercado nacional para investimentos estadunidenses no setor de minerais críticos, sem, entretanto, conceder exclusividade ao mercado norte-americano (G1, 2026). Tal posicionamento evidencia a busca brasileira por conciliar a cooperação e autonomia estratégica na condução da política externa. 

Considerações Finais

As relações entre Brasil e Estados Unidos, no contexto dos governos Lula 3.0 e Trump 2.0, evidenciam um cenário de reorganização política, econômica e estratégica. A retomada do “America First” pela administração Trump intensificou disputas comerciais, securitárias e geopolíticas envolvendo temas como narcotráfico, minerais críticos, segurança internacional e influência regional norte-americana. A diplomacia brasileira, por sua vez,  buscou construir a inserção internacional brasileira por meio do fortalecimento do multilateralismo, da ampliação dos vínculos comerciais, e da preservação da autonomia estratégica. 

Nesse contexto, o encontro bilateral realizado em maio de 2026 significou mais do que uma simples aproximação diplomática entre os dois países. Na verdade, evidenciou as disputas relacionadas à soberania, hegemonia e competição internacional contemporâneas, que envolvem não apenas a política externa brasileira em relação a Washington, como também a própria reorganização política do Hemisfério Ocidental. Dessa forma, observa-se que dinâmica bilateral atravessa momentos de tensão e cooperação estratégica, bem como reposicionamentos geopolíticos no sistema internacional.

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